
Texto do poeta Sérgio Fonseca a incluir no «ROTEIR(O)S DA ALMA»
“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios.
Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente,
antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos”.
Charles Chaplin
Vivemos de um sopro, a maior parte dos dias atarefados com o supérfluo, o pouco crível. Iludimo-nos por conquistas vãs, construímos impérios efémeros, estruturas ciclópicas que facilmente se desmoronam com uma leve brisa do vento. Quantas vezes olhamos mas não vemos, confundimos ouvir com escutar, e queremos que prevaleça o Ser pelo Ter. E quando damos por isso, o tempo chora-nos dizendo que fizemos da mentira a verdade de cada dia, que agrilhoámos os sonhos de esperança e centeio, projectando o que resta deles, e de nós, em pregões de ecoadas histórias sem provento.
Não sei se o tempo que vivemos é o quanto baste. Sei que em cada momento do nosso tempo nos encontramos e nos perdemos, vivemos e morremos o tempo. Este tempo e outro tempo. Sei também que em cada momento deste nosso tempo, desenhamos o nosso fim, reanimamos cada princípio, e inventamos o tempo de cada momento. E porque o que somos, somo-lo com os outros, procuremos que cada momento da nossa história inspire outros percursos, que esses outros percursos acalentem outros cursos, pois deles se escreverão as nossas histórias, as nossas memórias.
Que cada um de nós procure no seu horizonte a busca incessante do tudo, sem rejeitar o nada. Que cada um de nos se inebrie com os cintilados raios que iluminam cada átomo da vida, e na proa e popa da sua barca se forjem dias e noites por palavras e actos que transformem os vales de lágrimas e fendas do sofrimento, em albufeiras de água transbordante. Que em cada estrada nossa se evoquem estrofes que denunciam os embriões esventrados de esperança, os sorrisos desfigurados logo ao amanhecer, os homens que nasceram mas não cresceram, que morreram mas não viveram.
Impeçamos que a vida seja apenas uma passagem, e a morte a esperança das inocências perdidas. E quando chegar a penumbra do nosso anoitecer, e o suspiro dos anjos nos adormecer, que adormeçamos com as palavras dos poetas que clamam pelos sonhos dos homens. Que a nossa peça se teatro não termine sem aplausos.
Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente,
antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos”.
Charles Chaplin
Vivemos de um sopro, a maior parte dos dias atarefados com o supérfluo, o pouco crível. Iludimo-nos por conquistas vãs, construímos impérios efémeros, estruturas ciclópicas que facilmente se desmoronam com uma leve brisa do vento. Quantas vezes olhamos mas não vemos, confundimos ouvir com escutar, e queremos que prevaleça o Ser pelo Ter. E quando damos por isso, o tempo chora-nos dizendo que fizemos da mentira a verdade de cada dia, que agrilhoámos os sonhos de esperança e centeio, projectando o que resta deles, e de nós, em pregões de ecoadas histórias sem provento.
Não sei se o tempo que vivemos é o quanto baste. Sei que em cada momento do nosso tempo nos encontramos e nos perdemos, vivemos e morremos o tempo. Este tempo e outro tempo. Sei também que em cada momento deste nosso tempo, desenhamos o nosso fim, reanimamos cada princípio, e inventamos o tempo de cada momento. E porque o que somos, somo-lo com os outros, procuremos que cada momento da nossa história inspire outros percursos, que esses outros percursos acalentem outros cursos, pois deles se escreverão as nossas histórias, as nossas memórias.
Que cada um de nós procure no seu horizonte a busca incessante do tudo, sem rejeitar o nada. Que cada um de nos se inebrie com os cintilados raios que iluminam cada átomo da vida, e na proa e popa da sua barca se forjem dias e noites por palavras e actos que transformem os vales de lágrimas e fendas do sofrimento, em albufeiras de água transbordante. Que em cada estrada nossa se evoquem estrofes que denunciam os embriões esventrados de esperança, os sorrisos desfigurados logo ao amanhecer, os homens que nasceram mas não cresceram, que morreram mas não viveram.
Impeçamos que a vida seja apenas uma passagem, e a morte a esperança das inocências perdidas. E quando chegar a penumbra do nosso anoitecer, e o suspiro dos anjos nos adormecer, que adormeçamos com as palavras dos poetas que clamam pelos sonhos dos homens. Que a nossa peça se teatro não termine sem aplausos.
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