Domingo, 31 de Maio de 2009

ROTEIROS... PERCURSOS...



Traçamos itinerários, metas, paragens, inícios, chegadas
Tomamos notas diversas de todos os percursos, com um cuidado extremo
Acumulamos papéis, notas soltas, nuvens de muitos sonhos, estamos então prontos para a nossa partida.
O roteiro está em princípio, completo, a beijar a perfeição.
Esquecemos as memórias, abrimos uma nova página a partir do nada. Iniciamos a viagem. Enchemo-nos de sorrisos.
Damos passos em frente no itinerário da nossa suposta alma.
Subitamente, não encontramos o canto certo para esconder os receios, misturamos ecos, passos, lembranças, saudades, aventuras, demoramos tempo a mais nas paragens não obrigatórias, tornamo-nos tímidos no avançar do nosso itinerário, no suposto roteiro da nossa própria força, a dar pelo estranho nome de «alma».
Tropeçamos aos poucos nas nossas imensas indecisões, afinal, não estamos a seguir as setas, deixamo-nos amolecer no medo de saber sentir.
Seguir em frente… Recuar…Saborear…Entender…Desistir…Recomeçar?
Parar cansa, devora tantos olhares da nossa « alma », pode arruinar abraços, esperas, pode devolver mundos esquecidos, pode trazer de volta o arrepio quente do recomeço…

Uma possível receita para um roteiro feliz…

Deixarmo-nos alienar num roteiro sem qualquer rumo ou paragens obrigatórias, num itinerário alucinante, talvez alienatório, com a devida distância das vozes pesadas da nossa suposta « alma »…

Leonor Bettencourt Bernardo
(poema a incluir no projecto
«ROTEIR(O)S DA ALMA»)

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